Processo Produtivo

O SISAL – Matéria Prima

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O Sisal é uma fibra oriunda da Agave Sisalana Perrine, uma planta originária do México, de folhas longas e dentadas presente nas zonas tropicais, subtropicais e temperadas. Sua difusão pelo Brasil ocorreu aproximadamente na década de 20. Atualmente o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de sisal e o Estado da Bahia é responsável por cerca de 90% da produção da fibra nacional, ficando o restante com os estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

O Sisal é o principal produto agroindustrial do semiárido brasileiro, região historicamente assolada pela seca. É uma das poucas culturas possíveis na região, pois pode ser colhido durante todo o ano, é resistente a aridez e ao sol intenso do sertão nordestino.

O Sisal teve seu apogeu econômico durante a crise do petróleo nas décadas de 60 e 70. A utilização do sisal declinou devido ao aparecimento das fibras sintéticas porém, a necessidade de preservação da natureza e a forte pressão dos grupos ambientalistas vêm contribuindo para o incremento da utilização de fios naturais. Trata-se da fibra vegetal mais dura e resistente que existe no mundo.

A partir da fibra de sisal, por meio de processos industriais, são produzidos diversos produtos como fios, cordas, mantas, telas, sacos, tapetes, estofados, dentre outros.

Processo produtivo da cadeia produtiva do sisal é sustentável pois o sisal e seus resíduos são biodegradáveis e 100% reaproveitáveis. No campo, os resíduos são utilizados como adubo e também para alimentação animal; na batedeira, os resíduos são utilizados para alimentação animal e reaproveitados para fabricação de outros produtos. Na indústria, os resíduos são utilizados para reaproveitamento em outros processos produtivos. Além disso, a Fibra de Sisal é decomposta em poucos meses e torna-se fertilizante natural enquanto a fibra sintética pode demorar até 150 anos para se decompor.

No Campo

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O ciclo de transformação da fibra do sisal em fios naturais tem início aos 3 anos de vida da planta ou quando suas folhas atingem até cerca de 140 cm de comprimento. As folhas podem resultar em fibras de 90 a 120 cm. As fibras representam apenas de 4 a 5% da massa bruta da folha do sisal. As folhas são colhidas a cada seis meses durante toda a vida útil da planta que é de 6 a 7 anos. Ao final deste período a planta produz uma haste chamada de flecha de onde surgem as sementes de uma nova planta.

As folhas são cortadas, recolhidas, amarradas e transportadas para um local onde são dispostas para processamento na “paraibana” ou como é chamado na região sisaleira, “motor de sisal” que é uma máquina que desfibra a folha do sisal.

Após desfibradas, serão limpas e estendidas expostas ao sol para secagem. Depois de secas são classificadas, arrumadas e armazenadas.

Nas “Batedeiras”

As batedeiras são unidades de beneficiamento das fibras do sisal. Neste processo as fibras são batidas para que fiquem soltas e penteadas, passando para o processo de classificação.

Na classificação as fibras são separadas por tipo, revisadas quanto a impureza e prensadas em fardos, ficando prontas para comercialização.

O tipo e a qualidade da fibra estão diretamente relacionados ao seu comprimento, grau de umidade e grau de pureza.

Na Indústria

O processo produtivo é constituído por três etapas: preparação dos fios, fiação e cordoaria.

Na Preparação dos Fios as fibras são tratadas, coloridas (se for o caso), penteadas, emendadas e uniformizadas em diversas máquinas até que atinja a qualidade requerida. O resultado dessa etapa são pilhas de mechas que alimentam a próxima etapa de produção.

O tratamento, quando solicitado, consiste na aplicação de uma emulsão que protege os fios contra apodrecimento precoce, fungos e roedores e o torna maleável.

Na Fiação, as mechas alimentam as máquinas fiadeiras que fazem a torção e confeccionam os fios de sisal que são bobinados de acordo a solicitação do cliente.

Na Cordoaria, os fios passam por máquinas Emboladeiras e Cordoeiras para a confecção das cordas.

O processo é monitorado em todas as etapas de produção e no Laboratório, o Controle de Qualidade realiza testes dos lotes produzidos, por meio de verificação da gramatura, umidade, peso, resistência, dentre outros. Após aprovados os lotes são embalados de acordo com as especificações de cada cliente.